sexta-feira, 30 de maio de 2008

Romerito sangue de barata


Não adiantou Romerito bater o pé, chorar, viajar a Goiânia, apelar pra torcida. O Goiás não topou prorrogar o empréstimo do meia para que ele possa jogar a final da Copa do Brasil. Assim, o grande destaque do clube pernambucano está fora das finais. Como ele mesmo diz, roeu o osso e vai ficar de fora na hora de saborear o filé. Por mais que a diretoria do Sport não imaginasse que o clube chegaria à final do torneio, não podia ter dado a bobeira de acertar o empréstimo com término marcado para o meio de uma competição. Erro comum no Brasil. Até o São Paulo já ficou sem Ricardo Oliveira numa final de Libertadores.

A maior bobagem nesse episódio, porém, cabe à diretoria do Goiás. Romerito já não é mais um guri. Tem 33 anos e contrato com prazo de validade: dezembro de 2008. Com que vontade ele vai entrar em campo pra defender o Goiás no restante do Brasileiro depois de ser impedido de entrar em campo no maior jogo de sua carreira? Por mais que seja profissional, tem horas em que o coração bate mais forte. Faltou sensibilidade à diretoria do Goiás. Cada lance que o Romerito errar pelo clube goiano vai ser questionado. Estaria de corpo mole? Talvez não conscientemente. Mas ninguém tem sangue de barata.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Cai ou não cai?

Pergunta que não quer calar: Muricy Ramalho e Abel Braga resistirão à má fase de São Paulo e Inter? São os treinadores brasileiros mais respeitados dentro de seus clubes, mas enfrentam uma série de maus resultados. Apesar dos títulos e do prestígio, acho que não resistem a mais duas ou três rodadas de derrotas. Brasil é Brasil. A torcida cobra, os jornalistas se esquecem do mês passado e, aí, já viu. Será?

Seleção do Brasileirão

Segue abaixo uma seleção inusitada, que só é possível no futebol brasileiro. Após três rodadas do início do campeonato nacional, escalo a equipe de jogadores que vão deixar o país ao longo do torneio. São, inevitavelmente, os melhores atletas ou as grandes promessas dos clubes. Alguns já têm a saída assegurada, outros ainda não, mas pode crer: ninguém fica depois da metade do ano.

1- Renan, do Inter
2- Leonardo Moura, do Flamengo
3- Felipe Santana, do Figueirense
4- Henrique, do Palmeiras
5- Eduardo Costa, do Grêmio
6- Kleber, do Santos
7- Hernanes, do São Paulo
8- Ibson, do Flamengo
9- Marcelo Moreno, do Cruzeiro
10- Alex, do Inter
11- Adriano, do São Paulo

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Campeón


A vitória amarga do Santos sobre o América do México e a eliminação nos pênaltis do San Lorenzo frente à LDU abriram as portas para o Boca conquistar pela sétima vez a Copa Libertadores. O título colocaria os xeneizes como os maiores vencedores da história, ao lado dos conterrâneos do Independiente. Mais do que isso, o troféu marcaria a maior hegemonia de um clube numa única década na história do futebol sul-americano. O Boca já venceu quatro Libertadores desde 2000 e, se papar mais uma, passará o mesmo Independiente, que venceu quatro vezes nos anos 1970 - 1972, 1973, 1974, 1975.

Difícil imaginar que a atual geração do Boca forma a maior equipe da história do futebol sul-americano. Já gravaram seu nome no troféu formações lendárias como o Santos de Pelé, o Peñarol de Spencer e Pedro Rocha, o São Paulo de Raí, o Flamengo de Zico, o Independiente de Bochini. Apesar das constantes trocas no onze titular, a geração anos 2000 do Boca tem em Riquelme, Palácio, Palermo, Tevez, Schelotto e Gago seus principais nomes. Dentro de campo, nada espetacular. Fora dele, a mística da Bombonera.

A verdade, porém, é que o estádio sempre esteve lá. Está de pé desde 1940. Times competitivos e brigadores o Boca também sempre formou. O que pode diferenciar a geração atual das anteriores é a falta de concorrentes. Em 48 anos de história da Libertadores, Santos, Independiente, Peñarol, Olímpia, Colo-colo e Once Caldas já tiveram o prazer e a coragem de eliminar o Boca em finais ou semi-finais. Exceção feita ao valente Once Caldas, todos os outros têm o passado como aliado. Os tempos eram outros. Tempos em que uruguaios, paraguaios e chilenos assustavam.
Hoje, são raras as equipes que ousam quebrar a hegemonia brasileiro-argentina no torneio mais disputado do mundo. E a verdade verdadeira é que, se o Boca não tem um esquadrão, tem um time mais competitivo que os do lado de cá da fronteira – lotados de novatos esperando carimbar o passaporte para a Europa, ou de quem já voltou pra encerrar a carreira ou em busca de recuperação. O Palermo não é craque, mas joga mais que os centroavantes que temos por aqui. Assim como o Palácio. Assim como o Riquelme.

Além do mais, morremos de medo de enfrentar aquela camisa amarela e azul. Dos seis brasileiros que começaram a Libertadores desse ano, cinco ficaram pelo caminho. Só sobrou o Fluminense. Tomara que queime minha língua. Tomara que a surpreendente LDU e o América do Cabañas e do Ochoa me façam engolir as palavras. Mas, pela competência e pela falta de concorrentes, o Boca já é campeão.

Como vencer o Boca

Vale a pena ver essas imagens da vitória do Santos contra o Boca na final da Libertadores de 1963, na Bombonera. Basta um Pelé inspirado e um pouquinho de coragem.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Achômetro

Passaram-se apenas duas rodadas e muita gente se deu ao luxo de poupar titulares para escalar reservas que muitas vezes nem têm. Mesmo assim, vou me render à perigosa tarefa de tirar algumas conclusões. Uma certeza, pelo menos, já tenho. Quem não tem plantel não deveria brincar de poupar todos os titulares. Lá na frente pode custar caro.

Vão brigar pelo topo


Palmeiras e Cruzeiro são, sim, favoritos ao título. O Palmeiras tem como trunfo o comando de Luxemburgo. Depois de perder, e perder bem, em Curitiba, o verdão sacudiu a poeira e se recuperou em cima do também candidato Inter. No meio da semana, Luxemburgo afastou o indisciplinado Kleber – que por sinal fica só mais um mês – e apostou em Denílson. É o tipo de aposta que poucos fazem. E o resultado é daqueles que só dá certo com quem tem estrela. Denílson resolveu, enfim, atacar o adversário. Com ele bem, Luxemburgo é candidatíssimo a faturar seu sexto título nacional. O Cruzeiro também tem no banco seu grande trunfo. Adílson Batista não tem o currículo do palmeirense, mas também tem estrela. Montou o time com seu homens de confiança, também enfrentou problemas com o grupo no meio da semana, mas continua firme. Para continuar como favorito, só precisa encontrar um substituto para Marcelo Moreno, que dificilmente fica até o final do ano.